Você tem 5 minutos? A sina do Gerente.
- Enviado por Andre em 15 de September, 2008 na categoria Gerenciamento do tempo
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- Estou ocupado agora. Pode ser daqui a uns 30 minutos?
- É rápido. Creio que decidiremos logo sobre esse ponto e eu te deixo em paz em seguida.
Quantas vezes já ouvimos essa conversa? Muitas vezes, aceitamos o convite dos “5 minutos” por pura educação. 5 que viram 10 e, em seguida, aparece logo uma outra pessoa da sua equipe pedindo 5 minutos.
Falar que um dia de 8 horas de trabalho diário não cabe mais na sua rotina é ser redundante. O trabalho nas grandes empresas está cada vez mais tendendo à projetização. A orientação a projetos trouxe agilidade as antigas estruturas funcionais e hierárquicas. O problema foi que a velocidade e a quantidade de projetos que cresceu embaixo do executivo se transformou numa avalanche de demandas de informações. A projetização que buscava trazer agilidade se voltou contra ele. Pior, começou haver uma constante necessidade de aprovação das equipes à cada passo, a cada etapa vencida pelo projeto.

- Você tem 5 minutos? Preciso decidir em conjunto com você um item do nosso projeto.
Sabemos também que no nosso mundo corporativo extremamente competitivo, a necessidade de se mostrar uma pessoa de valor tornou-se quase que uma obsessão nos escalões técnicos.
No olho desse furacão encontra-se o nosso executivo, Gerente de uma unidade de negócios ou Diretor, dando a sua cota de 5 minutos de participação em cada projeto, fazendo o coaching do seu time, correndo para ler todos os emails os quais ele é copiado, controlando os números da sua equipe e… quando é que ele tem tempo para tomar as decisões que trarão rentabilidade ao negócio? Quando é que ele tem tempo para dar o rumo à sua gerencia? Quando é que o executivo terá tempo para trabalhar efetivamente naqueles pontos os quais ele será medido no final do ano pelos seus superiores? Você precisa de mais do que 5 minutos para responder a essas questões.
Existem algumas verdades absolutas que nós devemos admitir para que, encima delas, tomemos as decisões corretas. Vou listar aqui algumas dessas verdades que, após admiti-las, eu realmente tive ganhos de produtividade no meu trabalho.
Verdade número 1: Você não terá tempo de acompanhar todos os projetos que ocorrem abaixo de você. Admita isso para o seu próprio bem, dos seus subordinados, e da sua família muitas das vezes. Se você gastou do seu tempo montando as equipes de projeto, parta do princípio que você deve realizar um coaching quinzenal e avalie os resultados. Faça a sua secretária filtrar todas as ligações que chegam a você. Entenda que não é necessário a sua participação em todas as reuniões. Defina quando e onde você participará com o seu tempo no dia-a-dia dos projetos. Você dá o tom e não os fatos a sua volta.
Verdade número 2: Delegue, delegue, delegue. A agilidade das decisões nas equipes de projeto depende diretamente da sua não participação. Parece incrível mas é a mais pura verdade. Gerenciar, muitas vezes se parece como dirigir um ônibus sentando no último banco, você repassa as instruções a todo mundo mas não move uma palha para o ônibus andar. É o bom e velho empowerment. Dar poder de decisão as pessoas exige coragem e confiança. Muitas das pessoas, principalmente no Brasil aonde a cultura patriarcal permeia ainda as nossas relações trabalhistas, virão tomar a sua benção a cada decisão. É o hábito do subordinado delegar os seus problemas para cima. Livre-se deles! Cuidado, para muitos funcionários, dar o grito de independência do chefe é o mesmo que joga-los no fosso da indecisão. Uma ajuda do RH muitas vezes ajuda. Com pequenos workshops pode-se apoiar um grupo de coordenadores ou gerentes de projetos a se alforriar do seu patrão.
Verdade número 3: Foco, foco, foco. Conseguindo mais tempo, nada mais lógico de você focar o seu trabalho e naquilo que você foi contratado. Focar em algumas ações, focar em alguns projetos críticos, focar nos principais números. Saiba que você muitas vezes será classificado como aquele chefe que demora a responder os emails. Paciência, você não foi contratado para responder emails, foi contradado para gerar um resultado superior. Você descobriu na verdade número um que não tem como arranjar tempo para acompanhar tudo. Descobriu na verdade número dois que precisa ajudar as pessoas a se libertar da sua esfera de decisão, mas muitos ainda não vão compreender isso.
Troque as ações que demandam um ciclo longo de resultados por algo que tenha maior impacto e visibilidade num ciclo curto. Decisões gerenciais são de difícil visibilidade até para você mesmo.
Ações como essas tornam o seu tempo mais bem aplicado. Um time bem conduzido ajuda a trazer uma maior rentabilidade ao seu negócio e apaga o mito da pessoa indispensável. Sim, porque ninguém é indispensável. Isso pode soar um pouco estranho pois, para muitos, tornar-se indispensável é uma maneira de assegurar o seu emprego.
Descobri que uma das melhores maneiras para se ascender numa empresa é tomar o cuidado para não se tornar uma pessoa indispensável e sim uma pessoa de valor. Pessoas que trazem valor ao negócio tendem a ascender cada vez mais na estrutura das empresas, diferentemente dos indispensáveis que costumam ficar pregados numa determinada posição.
Gerencie o seu tempo, tenha valor e deixe o caminho livre para você mesmo.
07 October, 2008 às 7:25 pm
Excelente artigo.
Recomendo o livro “O gerente minuto” e a série em vídeo “Gerente desorganizado”
Abs
01 November, 2008 às 11:53 pm
Olá André. Parabéns pelo blog e, em especial, por este post. Me identifiquei com todo ele, concordo plenamente.
Gostaria de comentar principalmente os pontos sobre ser indispensável e delegar.
Realmente, ninguém é indispensável. Primeiro, por fatos naturais e intempestivos da vida. Pessoas se mudam, aposentam, adoecem, morrem. Se alguém fosse indispensável em uma empresa, é como se estivesse “proibida” de tudo isso, mas é algo fora do alcance ou controle da empresa e, em alguns casos, até da própria pessoa em questão.
Além disso, muitas vezes o status de indispensável não é tão profundo quanto avaliamos. Quantas vezes já não vimos a situação em que se acreditava que alguém era indispensável a determinada atividade ou posição e, na saída imprevista e repentina deste, o “mundo não acaba”, isto é, a atividade ou posição continua existindo e seguindo em frente, mesmo que com algum contratempo.
E se alguém está indispensável em uma empresa, é falha da empresa. E fator de risco à perpetuação da empresa e de suas atividades, que deve ser mitigado. Sucessores e substitutos precisam ser criados e trabalhados. Processos de trabalho e informações relevantes precisam ser formalizados e documentados.
Por fim, o indispensável em algo costuma ficar “refém” deste algo, e acaba perdendo oportunidades de se movimentar e de crescer dentro da empresa. O indispensável em algo é lembrado apenas por este algo.
Já quem consegue delegar e repassar o que sabe, é em geral respeitado — afinal, como você bem colocou, isso demonstra atributos de peso como coragem e confiança — e reconhecido. Pessoas de valor são lembradas nas mais diversas situações que demandam alguém com potencial. Com, isso, fora a própria satisfação e o crescimento pessoal e profissional, têm mais oportunidades de crescer e progredir.